segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

O exorcismo de Robbie Mannheim



Esta história nunca foi realmente provada como verdadeira, mesmo depois de diversos relatos de pessoas envolvidas no caso. Foi esta a lenda que deu origem ao filme "O Exorcista", uma das obras de terror mais bem conhecidas de sempre, que foi, para a sua época, bastante assustador e polémico. Mas ao contrário do que aconteceu no filme, neste caso a vitima foi um rapaz chamado Robbie Mannheim, que também é nomeado de "Roland Doe", dependendo das fontes. Robbie era um rapaz comum que viveu durante a década de 40 e como era filho único, passava a maior parte do seu tempo com adultos, que eram, geralmente, a sua única companhia.
Robbie passava uma grande parte do seu tempo com a sua tia Harriet, que tinha uma boa relação com o rapaz. Harriet tinha um tabuleiro Ouija, que usava para contactar os entes queridos que já faleceram e quando Robbie demonstrou interesse em aprender a usar o objecto, ela ensinou-lhe como é que aquilo funcionava. Eis que Robbie recebeu um tabuleiro Ouija e fazia uso do seu novo brinquedo frequentemente. Mas, a partir de 1949, as coisas começaram a ficar estranhas na casa de Robbie. No início, ouviam-se gotas de água a cair, vindas do nada. Enquanto tentaram descobrir o que se passava, Robbie e a sua avó não encontraram nada, mas alegam que, a dado momento, uma pintura de Jesus Cristo que estava na casa começou a tremer, sem motivo aparente. Mais tarde, o barulho da água parou, dando lugar a outros ruídos de batidas e garras, que os pais de Robbie atribuiram a sons feitos por ratos. Onze dias depois disto, a tia Harriet faleceu, o que deixou Robbie desvastado. Os pesquisadores do assunto afirmam que Robbie tentou usar o tabuleiro Ouija para contactar a sua tia, o que deu origem à consquente possessão demoníaca. Nos dias seguintes, a família passou a ser alvo de actividades paranormais de poltergeist: a mobília movia-se por si só. Segundo algumas fontes, o fenómeno não ficou por ali, acompanhando Robbie para onde quer que ele fosse, porque situações idênticas ocorriam na mesma (na escola, por exemplo).
De acordo com o depoimento do reverendo Luther Miles Schulze, o rapaz foi examinado por médicos e psiquiatras, que não conseguiram encontrar nenhuma resposta científica para a situação. Foi aí que a família recorreu ao reverendo para pedir ajuda. Então, Robbie ficou em observação e aí, foram observados outros tipos de fenómenos sobrenaturais, inclusive durante o sono. Com isso, o reverendo ficou convencido que algo de anormal estava a acontecer e decidiu realizar um exorcismo.
Segundo a parte da história conhecida e contada pelos supostos envolvidos, Robbie foi levado para uma igreja angelicana, onde foi submetido a um processo de exorcismo. Durante o processo, o rapaz acabou por ferir o padre, que enviou Robbie de volta para casa. Na sua habitação, outros fenómenos começaram a ocorrer: Robbie gritava incessantemente e a dado momento, foi possível ler a palavra "Saint Louis" escrita em sangue no seu corpo. Depois disso, a família foi de comboio até St. Louis e entraram em contacto com o padre William S. Bowdern, que após observar uma série de eventos que se passavam com o rapaz (aversão a objectos sagrados para o catolicismo, a cama que abanava, objectos voadores e conversas em linguagens desconhecidas (o que o padre atribuiu a linguagem demoníaca)), solicitou a permissão para praticar um exorcismo em Robbie. O exorcismo foi aprovado, mas sob as seguintes condições: o padre teria de manter actualizado um diário onde registasse os eventos e deveria manter em segredo o local onde o exorcismo iria ser realizado.
Ao todo, foram realizados cerca de 30 rituais de exorcismo em dois meses, que foram acompanhados de diversos eventos inexplicáveis, como a cama se de movia, um recipiente com água benta que pairava no ar e palavras como "hell" ou "evil", que apareciam esporadicamente no seu corpo. Quando perguntaram ao espírito quando é que ele podia ir embora, ele respondeu que só sairia quando Robbie proferisse as palavras certas. Eventualmente, o rapaz disse "Christus Domini" e ouviram-se barulhos e ruídos por todo o lado e depois disto, parecia que tudo estava a acabar. O local onde o exorcismo foi realizado foi selado para que ninguém pudesse lá entrar.
Fontes alegam que após o exorcismo, a família nunca mais voltou a ser atormentada. Robbie cresceu feliz e sem nenhuns problemas, casou-se e tornou-se num homem de família.
Obviamente, muitos aspectos desta história ainda estão sob discussão. Um pesquisador afirma que encontrou evidências de que o tal exorcismo nunca ocorreu realmente, e que o próprio padre envolvido nos eventos diria que as coisas não foram bem assim, e inclusive alguns amigos de Robbie alegaram que os eventos eram exagerados e muitas das coisas que aconteceram podiam ser facilmente explicadas.

Os psiquiatras possuem as suas próprias explicações para os fenómenos, entre elas os transtornos de múltiplas personalidades, síndrome de tourette, esquizofrenia, automatismo, transtorno compulsivo-obsessivo, histeria coletiva e até abuso sexual. Até hoje a história permanece inexplicada e não se sabe quais dos eventos realmente aconteceram e quais foram inventados. Nota-se, no entanto uma forte influência das crenças cristãs dos envolvidos, o que pode ter prejudicado o seu julgamento dos eventos.
"Robbie Mannheim"/"Roland Doe" não são os nomes reais do rapaz. O nome verdadeiro foi sempre mantido em segredo, e até hoje não se sabe nada sobre a família, de onde vieram, e se ainda existem familiares vivos – ou se o próprio Robbie ainda está vivo. O nome "Robbie Mannhein" foi dado pelo primeiro pesquisador do caso, Thomas Allen E Saint Louis é uma cidade americana do Missouri, onde Harriet, tia de Robbie faleceu...

Adaptado de: noitesinistra

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